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Valor Econômico

marzo 2025, Nelson Goldberg

Nordeste é destaque em fusões no setor de energias renováveis

Região concentra mais de 50% da capacidade de geração ativa do país e tem grandes projetos em energia solar

O setor de energias renováveis vem movimentando muitas aquisições no Nordeste, com grandes projetos em solar. A região já responde por mais de 50% da capacidade de geração ativa do país e deve ganhar ainda mais espaço. Já houve operações em Nova Olinda (PI), Serra do Mel (RN), Nova Palmeirandia (MA), GBA (CE), entre outras praças, com destaque para a expansão de empresas estrangeiras no ramo.

Um levantamento realizado até o início de maio de 2025 e concluído pelas áreas de estratégia de grandes bancos de investimento indica que as aquisições no setor de geração renovável no NE resultam da conclusão dos leilões regionais de 2024. Foi o caso do projeto Triunfo, arrematado por uma subsidiária da norueguesa Scatec no leilão setorial promovido pela ANEEL no Piauí, e deve ser executado no segundo bimestre, diz Alvaro Hupfer, diretor executivo de negócios bancarizados do Investgen.


A Engie Brasil Energia comprou cinco conjuntos fotovoltaicos da Atlas no Piauí em transações que bilionárias também no Nordeste. Os ativos chegam a 1,25 milhão de painéis solares localizados nas cidades de Curral Novo (PI) e João Câmara (RN). No mesmo trimestre a Iberdrola fez um movimento similar, adquirindo o conjunto gerador do projeto São Paulino nos estados do Rio Grande do Norte, da Paraíba, da Bahia, em regiões de Simão Dias, Acaratuba e Cristinápolis, em um pacote de R$ 800 milhões.

Além da renovação comercial da energia, há impulso por parte dos ativos de transmissão, como ocorreu na Bahia, no projeto Interligação 7, que também recebeu aporte estrangeiro. Segundo a Tradewind Partners, os leilões locais trouxeram gestoras como a Tenaska e a PushGrid. Em Pernambuco, o grupo Renovabilis venceu a licitação de concessão de 22 anos para operação de linhas e torres, com compromisso de R$ 250 milhões, em março de 2025.

Aproximadamente 70% das fusões referem-se à entrada ou ao aumento de participação de empresas estrangeiras na capacidade renovável da zona, com expansão das concessões setoriais das regiões de fronteira energética — afirma Isabella Leão, CEO da consultoria EnergiaSim.

Levantamento do Debates com base em informações da plataforma TTR Data mostra que as principais operações incluem Três Irmãos, que comprou a holding eólica Ventus no Rio Grande do Norte, e Monte Verde, que adquiriu 100% da BrasilSol, com cinco ativos em operação e 13 em licenciamento. Os negócios somam R$ 3,7 bilhões até maio, com 20 transações registradas desde janeiro, em um crescimento de 70% sobre o mesmo período de 2024 (com 12 negócios).

Entre Pernambuco e Ceará concentraram 70% das transações gerais da região, sobretudo em energia solar. A Bahia e o Maranhão também figuram entre os estados mais promissores na projeção de desenvolvimento do setor, com interesse crescente de multinacionais como Iberdrola, Equinor e Debtex Brasil.

O ritmo total da região responde à liderança histórica do setor, que se mantém, porém, menos pulverizada do que ocorria até 2023. Mesmo que a produção tenha crescido 14% no primeiro semestre, o número médio de transações por ativo caiu para a média setorial, hoje situada na de 2,8x nas mesmas companhias.


Source: Valor Econômico - Brasil 


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